Mourinho "Gostava de fazer no Real Madrid o Jogo 600"
Amanhã, em Londres, com o Tottenham, Mourinho completa 500 jogos na carreira e diz ao Económico que está pronto para outros tantos.

Amanhã, na segunda mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões, em Londres - cidade onde conheceu diversos triunfos -, frente ao Tottenham, José Mourinho vai viver mais um momento especial da carreira, chegando aos 500 jogos oficiais. Ao Diário Económico, o melhor treinador do Mundo fala com o entusiasmo de sempre sobre um percurso cheio de êxitos e elogia o Real Madrid, onde gostaria de estar para o jogo 600.
Recordando bons e maus momentos de uma carreira com 17 troféus, incluindo as vitórias na Liga dos Campeões (em 2004 pelo FC Porto e no ano passado com o Inter) e na Taça UEFA (pelos portistas em 2003), Mourinho, de 48 anos, relembra o peso histórico de ter sido o primeiro treinador a conquistar a Bola de Ouro FIFA/France Football e não esquece a selecção.
O jogo 500, após pouco mais de dez anos de carreira, que significado tem para si?
Para mim, o jogo 500 vai ser igual ao 499 e ao 501, não tem um significado especial, a não ser o de revelar que tenho tido uma carreira cheia, com dez anos a trabalhar sempre em alto nível e intensidade competitivos. Na carreira de um treinador, podem disputar-se 500 jogos a um nível normal ou 500 no top. Os meus foram na sua maioria em Inglaterra, Itália, agora em Espanha, muitos na Champions League... Ou seja, a grande percentagem dos 500 foi mesmo no top. E não estou cansado nem física, nem psicologicamente. E como pretendo continuar a desfrutar daquilo que faço, que venham mais 500!
Vivê-lo como técnico do Real Madrid confere-lhe algum carácter especial?
O Real Madrid, e digo-o sinceramente, penso que é mesmo o maior clube do Mundo a nível sócio-cultural. Ser seu treinador é um orgulho, mas também é verdade que o clube precisa de trabalho, de muito trabalho e, por isso, viver aqui, no Real Madrid, o jogo 500 é algo de especial. Mas não há tempo nem condições para estar a pensar nisso, nem para viver a pensar na dimensão do clube.
Em Setembro de 2009, quando atingiu os 400, comentou que não chegara sequer a metade: mantém essa ideia de um percurso longo antes de deixar o futebol? Também nessa altura, afirmou que não divide os treinadores em jovens e velhos, mas em bons e maus, desejando vir a ser um treinador velho e bom - quais são as características essenciais para alcançar esse objectivo?
Quando era um jovem treinador defendi os mais velhos, dizendo que não há treinadores novos nem velhos, mas sim bons e maus. Mantenho o que disse então e só acrescento que aquilo que diferencia os bons dos muito bons é a capacidade de estes terem uma carreira de sucesso por muitos anos.
